O Comunicação com Azeite é um espaço que pretende divulgar conteúdo de comunicação pública, com foco na publicidade e propaganda de governo. Nesse blog os visitantes também encontram dicas de livros, músicas de primeira qualidade e uma pitada de gastronomia, minha mais nova paixão.































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terça-feira, 5 de julho de 2011

Contos da Propaganda - Maior verba até então liberada




A Bayer foi a pioneira na estratégia de desenvolver consecutivas campanhas no Brasil. As peças de propaganda eram compostas por anúncios com títulos super criativos, que alteravam conceitos institucional, ingênuo ou agressivo, feitos para diferentes linhas de produtos da marca. Provavelmente foi a empresa farmacêutica que mais investiu em propaganda na década de 10.
    Na medida que eram lançados novos produtos, o volume de  propaganda da empresa aumentava. Contudo, não há registro de qual empresa as campanhas, mas pode-se supor que foi uma "estrutura de comunicação" com departamentos definidos, compostos por desenhista, redator, tipógrafo, atendimento e tudo mais. Fato que demonstra o início da organização do mercado de comunicação brasileiro, com a consolidação de estruturas capazes de atender grandes demandas de comunicação.
    Provavelmente apostando nessa profissionalização do mercado,  em 1905 o governo liberou 100 contos de réis para serem investidos durante todo o ano no desenvolvimento de diversificadas ações de propaganda. Para a época era muito dinheiro, que foi aplicado na divulgação de produtos agrícolas, pastoris e minerais. Importantes para ajudar alavancar o crescimento econômico do Brasil. 
    Como era de se esperar, o montante do investimento em propaganda chamou a atenção do mercado, uma vez que o recurso seria capaz de impulsionava a ¨empresa/agência¨ de muita gente. Por isso, sem dúvida o Decreto nº 5.558, de 16 de junho, teve peculiar importância para história da comunicação no Brasil, uma vez que o governo, até então, não tinha liberado tamanha quantia de recursos para ser aplicado em ações de propaganda.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Contos da Propaganda - Pó da Pérsia, Bálsamo Maravilhoso e Ungento Santo.....

  Até 1887, as propagandas brasileiras se resumiam a divulgação de compra e venda de móveis, bem como anúncios de escravos, vendendo negros e descrevendo fugitivos. Depois da abolição da escravidão, a propaganda de remédios ganhou espaço no mercado brasileiro. Com formato em preto e branco e tamanhos irregulares, anúncios de remédios para combater sífilis e diversas outras doenças se avolumavam em revistas e jornais. Daí o origem de uma frase, de autoria desconhecida, publicada em jornal da época: “Brasil: um vasto hospital”. 
    Para chamar a atenção dos consumidores e criar um diferencial de mercado, alguns produtos com composição farmacoterápica passaram a adotar nomes "atraentes", dentre eles Pó da Pérsia, Bálsamo Maravilhoso, Ungento Santo, Óleo de Fígado de Bacalhau, Licor de Alcatrão e Magnésia Fluida. Outro diferencial dos anúncios desses produtos era a característica literária dos textos, que muitas vezes foram feitos por poetas como Olavo Bilac. 
    A partir de 1901, o Brasil entra em plena expansão produtiva. E a propaganda encontra fôlego por causa de novos anunciantes que surgiram. Com a intenção de criar mais um diferencial de mercado, os "propagandistas" passam a usar imagens de celebridades nos anúncios."Case" de propaganda da época é um anúncio com o Barão de Rio Branco divulgando produtos alimentícios brasileiros.
    Para ajudar no fortelecimento da imagem dos nosso produtos, o Governo da República publicou em 23 de setembro de 1902 o Decreto nº 4559, abrindo crédito de 10 contos de réis para o Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas pagar despesas com propaganda de produtos agrícolas nos Estados Unidos. 
    Não existe registro de quais ações e peças foram desenvolvidas com os recursos públicos, mas com certeza os propagandistas da época apoiaram de olhos fechados a iniciativa, alegando que o dinheiro foi investido estrategicamente para alavancar o desenvolvimento do mercado brasileiro.


AUTOR: Patrick Costa

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Série Contos da Propaganda - Do gás ao café, a propaganda como ferramenta da República

Anúncio de 1896

   Jornal, Classificados e Agência de Propaganda. Este poderoso trio entra em cena a partir de 1891, com a criação da "Empresa de Publicidade e Comércio". Nessa época, os anúncios eram uma espécie de classificados de maior tamanho, que divulgavam remédios, fortificantes e elixires, prometendo vigor e o bem estar das senhoras. Contudo, o comércio de remédios não era suficiente para movimentar a economia do país. Já o mercado publicitário precisava de outras fontes de arrecadação
    Por sorte, nos primeiros anos do século passado, sob o impacto da abolição que afetou diretamente o desempenho da economia brasileira, o governo da República abraçou a missão quase impossível de levar o pais à industrialização e a modernização. 
     Para tanto, uma das apostas dos presidentes Campos Sales (1898/1902) e do seu sucessor Rodrigues Alves (1902/1906) foi a publicação de Decretos que financiaram ações de propaganda, com o objetivo de divulgar no exterior qualidades econômicas e geográficas do país, principalmente produto brasileiros. Assim, investidores poderiam se interessar pelo nosso país, abrindo novos mercados para o Brasil
     O café, pilar da economia na época, foi o primeiro garoto-propaganda. Em 1901, o governo liberou por meio do Decreto nº 4.207, de 22 de outubro, crédito de 70 contos de réis para o Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas organizar serviços de propaganda do nosso café nos países onde o Brasil possuía Consulado.
     Temendo a desestabilização da economia, outros setores opuseram-se ao protecionismo governamental, questionando fortemente a intervenção da República no setor cafeeiro. Pressionado, o governo passou a investir na propaganda de outros produtos brasileiros. Em 2 de julho de 1902, por meio do Decreto nº 4.446, liberou 50 contos de réis para o Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas desenvolver esforços de propaganda com o intuito de divulgar além-mar o xisto betuminoso, oriundo da cidade de Marahú, na Bahia.
     Ainda em 1902, o gás natural do Recife também foi socorrido pelo governo. Para desenvolver ações de propaganda do gás pernambucano nos Estados Unidos, o município recebeu o crédito de 15 contos de réis do Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, por meio do Decreto nº 4.612, de 23 de outubro.
     Naquela época, os presidentes Campos Sales e Rodrigues Alves não imaginavam que sua estratégia de usar a comunicação para fortalecimento mercadológico e promoção de imagem do governo transformaria-se, no futuro, em ferramenta governamental.  Para alcançar os mais variados objetivos, ações planejadas de comunicação foram, ao longo dos anos, sendo incorporadas ao senso comum da cultura política do pais, evoluindo para o que hoje conhecemos como propaganda institucional e propaganda mercadológica.


AUTOR: Patrick Costa

Jornal de 1902

terça-feira, 7 de junho de 2011

Série Contos da Propaganda - Padre garoto-propaganda

   A chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, foi um marco para a propaganda brasileira. Além da abertura dos portos, a implantação do primeiro banco da colônia e a instalação das primeiras escolas de nível superior, o Brasil nascia como país. E como mercado, o que estimulou o desenvolvimento de ações de propaganda para divulgação de serviços e venda de escravos.
   Pegando carona na onda propagandista, a igreja não perdeu tempo e começou a afixar seus ¨anúncios de sacristia¨ em locais públicos. Com essa ação, a igreja instituiu uma importante e duradoura ¨parceria¨ com a propaganda, uma vez que, quase 90 anos depois  o primeiro garoto propaganda do Brasil usava batina e certamente tinha um terço pendurado no pescoço, conforme recomendavam os melhores personal stylist da igreja católica.
    Em 1882, nada mais, nada menos do que um padre, de nome Antônio Martucci, foi escolhido pelo governo da República dos Estados Unidos do Brasil e contratado para ¨fazer propaganda¨ na Europa em favor da imigração para o pais da índias semi-nuas. Pelos serviços prestados, o padre recebeu dos cofres públicos, por meio do Decreto nº 72, de 5 de agosto, ¨cachê¨ de 1 conto de réis. Cabe saber se a grana cobria as despesas do padre com transporte, hospedagem e alimentação. Ou se, com o já conhecido “jeitinho brasileiro”, os custos foram pagos à parte, sem a necessidade de adiantamento ou licitação!!!

AUTOR: Patrick Costa