O Comunicação com Azeite é um espaço que pretende divulgar conteúdo de comunicação pública, com foco na publicidade e propaganda de governo. Nesse blog os visitantes também encontram dicas de livros, músicas de primeira qualidade e uma pitada de gastronomia, minha mais nova paixão.































quarta-feira, 15 de junho de 2011

Série Contos da Propaganda - Do gás ao café, a propaganda como ferramenta da República

Anúncio de 1896

   Jornal, Classificados e Agência de Propaganda. Este poderoso trio entra em cena a partir de 1891, com a criação da "Empresa de Publicidade e Comércio". Nessa época, os anúncios eram uma espécie de classificados de maior tamanho, que divulgavam remédios, fortificantes e elixires, prometendo vigor e o bem estar das senhoras. Contudo, o comércio de remédios não era suficiente para movimentar a economia do país. Já o mercado publicitário precisava de outras fontes de arrecadação
    Por sorte, nos primeiros anos do século passado, sob o impacto da abolição que afetou diretamente o desempenho da economia brasileira, o governo da República abraçou a missão quase impossível de levar o pais à industrialização e a modernização. 
     Para tanto, uma das apostas dos presidentes Campos Sales (1898/1902) e do seu sucessor Rodrigues Alves (1902/1906) foi a publicação de Decretos que financiaram ações de propaganda, com o objetivo de divulgar no exterior qualidades econômicas e geográficas do país, principalmente produto brasileiros. Assim, investidores poderiam se interessar pelo nosso país, abrindo novos mercados para o Brasil
     O café, pilar da economia na época, foi o primeiro garoto-propaganda. Em 1901, o governo liberou por meio do Decreto nº 4.207, de 22 de outubro, crédito de 70 contos de réis para o Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas organizar serviços de propaganda do nosso café nos países onde o Brasil possuía Consulado.
     Temendo a desestabilização da economia, outros setores opuseram-se ao protecionismo governamental, questionando fortemente a intervenção da República no setor cafeeiro. Pressionado, o governo passou a investir na propaganda de outros produtos brasileiros. Em 2 de julho de 1902, por meio do Decreto nº 4.446, liberou 50 contos de réis para o Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas desenvolver esforços de propaganda com o intuito de divulgar além-mar o xisto betuminoso, oriundo da cidade de Marahú, na Bahia.
     Ainda em 1902, o gás natural do Recife também foi socorrido pelo governo. Para desenvolver ações de propaganda do gás pernambucano nos Estados Unidos, o município recebeu o crédito de 15 contos de réis do Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, por meio do Decreto nº 4.612, de 23 de outubro.
     Naquela época, os presidentes Campos Sales e Rodrigues Alves não imaginavam que sua estratégia de usar a comunicação para fortalecimento mercadológico e promoção de imagem do governo transformaria-se, no futuro, em ferramenta governamental.  Para alcançar os mais variados objetivos, ações planejadas de comunicação foram, ao longo dos anos, sendo incorporadas ao senso comum da cultura política do pais, evoluindo para o que hoje conhecemos como propaganda institucional e propaganda mercadológica.


AUTOR: Patrick Costa

Jornal de 1902

terça-feira, 14 de junho de 2011

Governo não pode evitar o uso das mídias sociais

Todo orgão público precisa ser um ator de destaque no processo revolucionário que as mídias sociais estão impondo as relações humanas, econômicas e políticas. Pra falar a verdade, os governos não tem o poder de escolher se devem usar as mídias sociais, mas a questão é definir a forma de usá-las para ampliar seus canais de comunicação com a sociedade. Por isso, a interação política-social criada pela dinâmica das mídias sociais é um importante, definitivo e irreversível passo para a introdução do cidadão nos processos decisórios do Estado.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Classificação da Publicidade Governamental

Nos últimos 8 anos, com o aumento das publicações de livros, estudos e artigos, muitas duvidas sobre comunicação de governo já podem ser esclarecidas. Basta uma simples pesquisa na internet.  Contudo, mesmo com a facilidade de buscar explicações no "oráculo Google", o cidadão que não acompanha o debate ainda desconhece, por exemplo, as características das mensagens  que são veiculadas por todas as esferas do poder público.

Dentro dessa lógica do desconhecimento, escolho uma questão que considero fundamental para a compreensão do impacto da comunicação governamental na vida de cada cidadão brasileiro: Quais as diferenças técnicas entre as 4 subcategorias da publicidade de governo: Publicidade Legal, Publicidade Mercadológica, Publicidade Institucioal e Publicidade de Utilidade Pública??? 


Conforme Artigo 1o da Lei nº 4799 de 04 de agosto de 2003, ficou estabelecido que "a Administração Pública Federal , direta e indireta, passaram a classificar suas ações publicitárias da seguinte forma:

I) Publicidade Legal – a que se realiza em obediência à prescrição de leis, decretos, portarias, instruções, estatutos, regimentos ou regulamentos internos dos anunciantes governamentais.
 Para ver na internet uma Publcidade Legal, acesse: http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=3&pagina=117&data=07/06/2011

II) Publicidade Mercadológica – a que se destina a lançar, modificar, reposicionar ou promover produtos e serviços de entidades e sociedades controladas pela União, que atuem numa relação de concorrência no mercado.


Cartaz Campanha E-Sedex


III) Publicidade Institucional – a que tem como objetivo divulgar informações sobre atos, obras e programas dos órgãos e entidades governamentais, suas metas e resultados.

Cartaz Campanha Balanço 2009


IV) Publicidade de Utilidade Pública – a que tem como objetivo informar, orientar, avisar, prevenir ou alertar a população ou segmento da população para adotar comportamentos que lhe tragam benefícios sociais reais, visando melhorar a sua qualidade de vida.

Cartaz Campanha Vacinação Contra Gripe 2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Lixo faz baleia encalhar em praia peruana

Durante os períodos de férias e alta temporada, o volume de turistas aumenta assustadoramente em muitas cidades do mundo. O aumento temporário da população nessas cidades traz enormes impactos sanitários, causados principalmente pela aumento de lixo, fato que gera danos ao meio ambiente. Um exemplo é o lixo deixado por banhistas nas praias, que transforma-se em ameaça a biodiversidade marinha. Dentro de outra ótica, a incapacidade da prefeitura recolher e processar o grande volume de lixo ultrapassa a esfera eminentimente sanitária e torna-se um problema ambiental.

Logo, prevendo o problema e pensando em reduzir os danos ambientes causados pelo "lixo turístico", a prefeitura do Balneário de Miraflores no Peru, criou uma ação que traduziu com todas as "latas, cocos, garrafas, sacolas plásticas e papel", o impacto do lixo na vida marinha.
Todo o lixo deixado por turistas na principal praia da cidade, durante o fim de semana, foi usado para montar uma escultura de baleia, medindo 12 metros de comprimento por 2 metros de altura. O objetivo foi simbolizar que o animal marinho morreu por causa do lixo e ficou encalhado na praia. Ao lado da "baleia de lixo", devidamente cercada com uma fita que isola corpos nas cenas de crimes, foi colocada uma placa: "Esta escultura foi feita com o objetos deixados na praia durante um fim de semana. Sujeira Mata. Vamos manter as praias limpas". Além da escultura, outra ações de comunicação foi a distribuíção de sacos de lixo para turistas com a frase: "Ensucias Mata" (Sujeira Mata).




O resultado da ação de comunicação de utilidade pública não poderia ser diferente: somente em 1 dia, foram feitas mais de 30 reportagens nos principais veículos de comunicação do pais, impactando aproximadamente 40 milhões de pessoas. Além gerar milhares de replicações das reportargens e outras tantas sitações nas redes sociais.

Contudo, o maior resultado foi a redução de 5 para 2 toneladas/dia de lixo recolhido na praia durante o verão subsequente a ação, segundo a prefeitura de MiraFlores.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Livroteca - Memórias das Trevas

H á poucos dias passei pela porta da uma livraria e me deparei com um livro que sempre chamou minha atenção. Não somente pelo seu nome e imagem de capa, mas pelo protagonista do enredo: Antônio Carlos Magalhães, mas conhecido como Toninho Malvadeza. Ou somente ACM. O livro estava em promoção: R$ 10. Comprei. 


Desde então, não consigo largar o livro nas minhas horas de descanso. É uma leitura fascinante. Intrigante. Assustadora. De um lado, uma aula de política truculenta. De outro, um exemplo de resistência e coragem para enfrentar o poder de um grande coronel baiano. E no ambiente de disputa política e jogo de interesses, a publicidade não foi poupada. ACM usou seu poder para proibir que grande empresas e fornecedores do governo baiano anunciassem no jornal de maior oposição ao seu governo. Esse fato é só umas das surpresas que o livro apresenta. Leia!!!


Autor: João Carlos Teixeira Gomes
Editora: Editorial
766 P áginas


Veja comentário do jornalista Alberto Dines sobre o livro e seus bastidores, publicado em 02 de fevereiro de 2001.



O livro Memórias das Trevas – uma devassa na vida de Antonio Carlos Magalhães, de João Carlos Teixeira Gomes, o Joca, tem 766 páginas das quais cerca de 700 tratam do senador Antonio Carlos Magalhães e do carlismo, um dos fenômenos políticos-mediáticos mais importantes do Brasil contemporâneo.

Bem escrito, primorosamente investigado e documentado – por isso fascinante – Memórias das Trevas é um facho de luz, flagrante de corpo inteiro sobre os mistérios que envolvem um político que manda e desmanda neste país há quatro décadas. Com o apoio de expressivos setores da intelectualidade dita de "esquerda".

Apesar dos evidentes méritos e da crença de que no Brasil existe liberdade de expressão, autor e sua obra estão sendo vítimas da mais esmerada Conspiração de Silêncio já articulada desde os tempos da censura.

A mídia nacional e regional (com a honrosa exceção de IstoÉ), apoiada pela máquina administrativa do Senado e o governo da Bahia, jogou-se numa operação escancarada para abafar a repercussão do livro. Na semana de lançamento saiu apenas uma única matéria reproduzindo as revelações do livro e traçando o perfil do seu autor, um dos mais importantes intelectuais da Bahia. E esta matéria saiu na IstoÉ. Uma entrevista do autor para Valor, com duração de uma hora, saiu tão escondida, mas tão escondida que pode ser considerada como caso de estudo sobre a inocente técnica de "matar" um assunto fingindo que está sendo promovido.

Nos demais veículos, o silêncio. Ou, quando não, material de descrédito sutilmente inserido como "fato jornalístico" mais relevante do que o próprio lançamento da obra: insinuações de que a editora Geração Editorial foi financiada pelos adversários de ACM, depois a barragem de releases sobre um livro impresso pela gráfica do próprio senador para desancar seu desafeto, o senador Jader Barbalho. Solertes manobras para enfiar Memórias das Trevas dentro do contexto da disputa pela presidência do Senado. Mentira: o livro está sendo escrito há alguns anos e resulta de uma luta que Joca vem travando há três décadas contra o carlismo, conforme está amplamente documentado ao longo das suas 766 páginas.

Quando Mario Sergio Conti revelou num trecho perdido de seu Notícias do Planalto que havia um pacto de sangue entre ACM e uma das iminências pardas de Veja, hoje badalado colunista de oposição, não poderia imaginar que estava desnudando e iniciando o desmonte de uma das mais comprometedoras relações entre fonte e veículo na moderna imprensa brasileira. Longe de beneficiar o leitor, ao longo de 20 anos o pacto Veja-ACM serviu para dar cobertura às andanças de ACM no período mais importante da sua incrível ascensão, dando-lhe a aura de triunfo, inexpugnabilidade e eficiência para esmagar adversários e jornalistas independentes.

Este inocente pacto de fidelidade, estendeu-se a 90% da mídia por força de dois poderosos vetores conjugados: a consolidação do Cartel Brasileiro de Mídia articulado em torno do Grupo Globo e, graças a isso, o fortalecimento do grupo que então controlava Veja, hoje incrivelmente entranhado não apenas na mídia impressa (semanal e diária) como na internet e até em fundações culturais. Temos assim a justaposição de poderosos interesses politico-empresariais do Grande Cartel com as perversidades da Pequena Máfia, diabólica engrenagem de promoção e silêncio centrada em torno da figura de ACM.

Quando Joca revela como ACM deu a NEC de mão beijada à Rede Globo e, em troca, ganhou para a sua repetidora de TV a programação da Venus Platinada (ver no índice remissivo do livro as referências à NEC e a Mário Garnero) está revelando um dos tentáculos menos conhecidos do Cartel, porém já desmascarado neste Observatório: as grandes empresas jornalísticas regionais, com um par de exceções, são aquelas associadas às repetidoras da TV-Globo, do Amazonas ao Rio Grande do Sul. Isto significa que a imprensa regional – esteio de uma sociedade informada e organizada – está atrelada aos interesses globais ou de seus parceiros. E como o faturamento de uma repetidora estadual de uma das maiores redes da TV mundial é incomparavelmente maior do que o de jornais regionais, pode-se afirmar que a nossa imprensa regional funciona de facto como satélite dos interesses políticos, pessoais, empresariais e hegemônicos da Globo e seus apaniguados.

Série Contos da Propaganda - Padre garoto-propaganda

   A chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, foi um marco para a propaganda brasileira. Além da abertura dos portos, a implantação do primeiro banco da colônia e a instalação das primeiras escolas de nível superior, o Brasil nascia como país. E como mercado, o que estimulou o desenvolvimento de ações de propaganda para divulgação de serviços e venda de escravos.
   Pegando carona na onda propagandista, a igreja não perdeu tempo e começou a afixar seus ¨anúncios de sacristia¨ em locais públicos. Com essa ação, a igreja instituiu uma importante e duradoura ¨parceria¨ com a propaganda, uma vez que, quase 90 anos depois  o primeiro garoto propaganda do Brasil usava batina e certamente tinha um terço pendurado no pescoço, conforme recomendavam os melhores personal stylist da igreja católica.
    Em 1882, nada mais, nada menos do que um padre, de nome Antônio Martucci, foi escolhido pelo governo da República dos Estados Unidos do Brasil e contratado para ¨fazer propaganda¨ na Europa em favor da imigração para o pais da índias semi-nuas. Pelos serviços prestados, o padre recebeu dos cofres públicos, por meio do Decreto nº 72, de 5 de agosto, ¨cachê¨ de 1 conto de réis. Cabe saber se a grana cobria as despesas do padre com transporte, hospedagem e alimentação. Ou se, com o já conhecido “jeitinho brasileiro”, os custos foram pagos à parte, sem a necessidade de adiantamento ou licitação!!!

AUTOR: Patrick Costa

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Feijoada Completa: uma homenagem!!!

A senha de acesso do meu primeiro blog, o FEIJOADA COMPLETA, foi misteriosamente apagada dos registros do Blogger. Tentei por DIVERSAS vezes restaurar a senha, mas não tive sucesso.

Por isso, não me restou alternativa a não ser criar o BLOG COMUNICAÇÃO COM AZEITE, que tem a mesma finalidade do feijoada: divulgar conteúdo de comunicação pública, com foco na publicidade e propaganda de governo. E com uma novidade: dicas de gastronomia, minha mais recente "cachaça".

Logo, faço aqui uma citação ao FEIJOADA COMPLETA e recomendo que acesse-o para que as diversas postagem sobre comunicação de governo não caiam no esquecimento.

http://www.feijoadacompleta.blogspot.com/

Valeu.
Patrick Costa

Campanha Brasil sem Miséria - Governo Federal

Para "reiniciar" meu projeto de divulgação de ações de comunicação pública, com foco na publicidade governamental, publico a campanha de comunicação desenvolvida pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, para divulgação do Plano Brasil sem Miséria, principal programa social do Governo Federal.

    Marca

Importante ação de mobilização social, que pretende tirar mais de16 milhoes de brasileiros da extrema pobreza, o Plano Brasil sem Miséria é um grande desafio de erradicação da probreza, que pretende articular ações sociais, econômicas, políticas e culturais entres todas as esferas do poder público brasileiro. Além de impor metas arrojadas, o plano da um importante passo rumo a construção de uma sociedade mais igualitária, pois tem a intenção de fazer com que serviços públicos básicos cheguem aos mais pobres brasileiros, que vivem em grotões longínquos do nosso imenso território ou em zonas segregadas das grandes cidades. ACREDITE, são pessoas que não tem acesso a serviços essenciais como água, luz, educação, saúde e moradia.

 Pra saber mais sobre o Brasil sem Pobreza, basta acessar o HotSite www.brasilsemmiseria.gov.br, uma das ferramentas de comunicação da campanha que, por sinal, ficou muito boa. De boa navegabilidade, com fácil acesso as informações, que estão dispostas clara e objetivamente na tela.

HotSite


No HotSite, RECOMENDO o download do FOLDER de 20 páginas da campanha. Muito bem criado, com imagens bem trabalhadas e informações publicitárias que dialogam, de forma a impactar quem lê a peça. Muito interessante foi a criação de ícones - homem do campo, casa popular, prato e talheres, famlia, água potável e mais alguns desenhos, representando os eixos de atuação do plano - Eixo Garantia de Renda, Eixo Inclussão Produtiva e Eixo Acesso aos Serviços Públicos.

                                           

                                          
 Folder

No geral, os layouts seguem o padrão estético publicitário do Governo Federal: fotos grandes, limpas e bem produzidas. Sempre com muita GENTE, invariavelmente sorrindo. Os titulos são curtos e diretos. Já as peças eletrônicas (rádio e televisão) tem imagens muito bem captadas, locuções vibrantes e presença de atores globais. Por último, o conceito "O Brasil cresceu porque a probreza diminuiu. Já pensou quando acabarmos, de vez, com a miséria?" é instigante, que nos desperta uma sensação de esperança. De querer saber como será o Brasil sem a miséria que o governo diz que vai erradicar. Se cada esfera governamental fizer sua parte, o Brasil dará um importante passo rumo a diminuição das desigualdades sociais. Agora é esperar pra ver.

 Video