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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Contos da Propaganda - Pó da Pérsia, Bálsamo Maravilhoso e Ungento Santo.....

  Até 1887, as propagandas brasileiras se resumiam a divulgação de compra e venda de móveis, bem como anúncios de escravos, vendendo negros e descrevendo fugitivos. Depois da abolição da escravidão, a propaganda de remédios ganhou espaço no mercado brasileiro. Com formato em preto e branco e tamanhos irregulares, anúncios de remédios para combater sífilis e diversas outras doenças se avolumavam em revistas e jornais. Daí o origem de uma frase, de autoria desconhecida, publicada em jornal da época: “Brasil: um vasto hospital”. 
    Para chamar a atenção dos consumidores e criar um diferencial de mercado, alguns produtos com composição farmacoterápica passaram a adotar nomes "atraentes", dentre eles Pó da Pérsia, Bálsamo Maravilhoso, Ungento Santo, Óleo de Fígado de Bacalhau, Licor de Alcatrão e Magnésia Fluida. Outro diferencial dos anúncios desses produtos era a característica literária dos textos, que muitas vezes foram feitos por poetas como Olavo Bilac. 
    A partir de 1901, o Brasil entra em plena expansão produtiva. E a propaganda encontra fôlego por causa de novos anunciantes que surgiram. Com a intenção de criar mais um diferencial de mercado, os "propagandistas" passam a usar imagens de celebridades nos anúncios."Case" de propaganda da época é um anúncio com o Barão de Rio Branco divulgando produtos alimentícios brasileiros.
    Para ajudar no fortelecimento da imagem dos nosso produtos, o Governo da República publicou em 23 de setembro de 1902 o Decreto nº 4559, abrindo crédito de 10 contos de réis para o Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas pagar despesas com propaganda de produtos agrícolas nos Estados Unidos. 
    Não existe registro de quais ações e peças foram desenvolvidas com os recursos públicos, mas com certeza os propagandistas da época apoiaram de olhos fechados a iniciativa, alegando que o dinheiro foi investido estrategicamente para alavancar o desenvolvimento do mercado brasileiro.


AUTOR: Patrick Costa

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